sábado, 1 de junho de 2019

Para LER e CONHECER: # Breve histórico da hotelaria


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Olá pessoas queridas!

É sempre maravilhoso viajar e conhecer lugares novos. Durante a viagem conhecemos pessoas inesquecíveis e nos hospedamos em meios de hospedagem que pode ser desde pousada, resort, hotéis de luxo ou hotéis de negócios, hostels (entre outros). Mas você sabe a história desses meios de hospedagem? Convidamos você a fazer um passeio conosco na história e descobrir alguns fatos interessantes sobre o mundo da hotelaria.





 Boa leitura!



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A hospitalidade sempre esteve presente no meio social da humanidade. Para Camargo (2004), ela é considerada como o ritual básico de vínculo humano. Ligada diretamente a necessidade de hospedagem, Duarte (2003) afirma que no século VI a.C. já existia essa demanda devido o intercâmbio comercial entre cidades europeias da região mediterrânea. Segundo ele, os primeiros albergues operavam de forma artesanal, em partes de residências. Essas estalagens eram constituídas de grandes quartos cujos hóspedes, que nem sempre se conheciam, chegavam a ocupar de três a dez camas.

A hotelaria teve a função inicial básica de alojar aqueles que, por estarem fora de seu lar, necessitavam de um quarto, uma cama e um bom banho. Pinheiro (2002) afirma que a evolução da hotelaria sofreu grande influência dos gregos e especialmente dos romanos, que tendo ótimos construtores de estradas, propiciaram a expansão das viagens por todos os domínios e, consequentemente, o surgimento de abrigos para os viajantes. Sobre isso, o citado autor diz que:

A Grã-Bretanha, por exemplo, que foi dominada por Roma durante muito tempo, incorporou em sua cultura e em seu modo de vida a arte de hospedar, e ao longo de suas estradas, multiplicaram-se pousadas. Destaca-se que nesse período, os romanos foram grandes estimuladores das atividades hoteleiras, onde criaram rígidas regras e procedimentos para a hospedagem, onde um hoteleiro, por exemplo, não poderia receber um hóspede que não tivesse uma carta assinada por uma autoridade, estivesse esse viajando a negócios ou a serviço do Império Romano (PINHEIRO, 2002).

No período do Império Romano existia o hostellum, espécie de palacete em que reis e nobres se hospedavam em suas viagens. A fama da hospedaria dependia do luxo e dos serviços cerimoniais oferecidos a seus clientes.  Duarte (2003) afirma que no final da Idade Média houve grande desenvolvimento das estalagens que passaram a oferecer, além de serviços de alojamento, refeições e vinhos, cocheiras e alimentação para os cavalos, serviços de manutenção e limpeza para as charretes ou outros tipos de veículos.


De acordo com Índio (2003), entre outros estabelecimentos antigos destinados a hospedar pessoas, podem-se citar: resorts, bem diferente dos atuais, estavam localizados nas estâncias hidrominerais, na Grécia, e eram frequentadas pela alta nobreza; mansiones, estabelecimentos ao longo das estradas do Império Romano destinados a abrigar civis de classe alta, cadastrados pelo governo; tavernas, que era um misto de cantina onde tinha muita bebida, alimentação farta e diversão para militares romanos; caravansarias, estabelecimentos protegidos por muros para hospedagem de caravanas ao longo das estradas do Oriente Médio, frequentadas por comerciantes e viajantes que não desejavam se expor; khans, hospedarias mais sofisticadas, localizadas nos centros das cidades no Oriente Médio, destinadas a comerciantes e viajantes de poder aquisitivo mais elevado.


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Índio (2003) afirma que existiam também as hospitias, que eram tabernas mais sofisticadas, mas que igualmente como as demais, tinham a prioridade de dar abrigo aos cavalos. Nas tabernas antigas não eram servidos nenhum tipo de alimentação e os viajantes serviam-se dos abrigos para comer o alimento que transportavam. Em algumas hospitias localizadas mais próximas de grandes centros podia ser encontrado vinho, que era guardado em bilhas e servido em canecas de barro.


Em 1254, na França, foram instituídas leis regulamentadoras dos estabelecimentos e serviços de hospedagem em que uma das cláusulas diziam: “Bens roubados dentro do estabelecimento devem ser indenizados por três vezes o valor declarado”. De acordo com Flores (1993) a partir de 1407, a França criou a primeira lei para registro dos hóspedes a fim de obter maior segurança nas hospedarias. Em 1561, na França, a cobrança de tarifas foi regulamentada nas pousadas, assim como a exigência de maior conforto para os hóspedes.


Entre 1810 e 1820, o mundo todo testemunhou o crescimento da hotelaria: novos hotéis e casas de hospedagem surgiram em diversos países, novas técnicas de construção e a evolução tecnológica da época eram testadas em novos empreendimentos hoteleiros. Sobre esse aspecto nesse período, o Índio (2003) afirma que:

No Japão, surgiram as Ryokan, que eram casas para hóspedes e viajantes; na índia, foram implantados os Dak, bangalôs destinados a pernoites de hóspedes; em Baltimore, Estados unidos, o City Hotel inovou com a iluminação a gás, mesmo que parcialmente. (ÍNDIO 2003, p. 34)


Em 1870, César Ritz construiu em Paris o primeiro hotel com banheiro privativo em cada quarto, o que para Duarte (2003) é considerado um marco inicial para a hotelaria planejada, por que ele trouxe inovações à hotelaria. O autor afirma que nos Estados Unidos a expansão da economia norte-americana provocou um significativo aumento no Turismo de Negócios[1], para Índio (2003) como consequência da Revolução Industrial houve o estímulo no desenvolvimento mundial em todos os segmentos, inclusive no ramo hoteleiro. A melhora nos transportes, com o incremento das ferrovias, facilitou as viagens que antes eram realizadas através das diligências, tornou menor o custo e provocou o desenvolvimento de outra modalidade de turismo, o de lazer:


A hotelaria tinha uma característica especial, muito ligada ao meio de transporte da época que eram as diligencias, mas a partir de 1838, com o incremento das ferrovias, houve uma mudança radical no conceito hoteleiro pela agilidade do meio de transporte instalado (ÍNDIO, 2003. p. 34)


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No Brasil, a hotelaria nasceu devido à necessidade de se hospedar pessoas logo depois do descobrimento, nas instalações das capitanias-hereditárias. Segundo Índio (2003) coube aos mandatários dessas capitanias instalarem, na nova colônia, as primeiras hospedarias, pela necessidade de abrigar viajantes que se deslocavam constantemente. Sobre esse aspecto, o referido autor afirma que:


As hospedarias ou pensões da época passaram a ser exploradas por portugueses que instalaram seus negócios no país e que eram diversificados, instalados em imóveis pequenos, geralmente edifícios de três ou quatro andares. As pensões localizavam-se num andar imediatamente abaixo da residência do proprietário, que ainda explorava no térreo uma mercearia ou empório de secos e molhados. (ÍNDIO, 2003. p. 38).


Todavia, segundo Pinheiro (2002), ainda que em solo brasileiro, pessoas passaram a receber viajantes em suas próprias casas como um gesto de caridade e de respeito e não com interesse comercial. Por sua vez, colégios e mosteiros como o Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, recebiam viajantes ilustres no período colonial. Duarte (2003) liga essas práticas da hospedagem à colonização empreendida pela igreja católica.  Sobre esse aspecto, Veloso Campos (2000) aponta que:


Pessoas de influência, registram Belchior e Poyares (1987) encontravam moradia em casas conventuais, residências citadinas, fazendas e engenhos de moradores abastados. Não possuindo projeção social, tampouco carta de recomendação, uma família hospitaleira poderia abrigar o viajante, caso não preferisse se manter a bordo dos navios, quando rápida a passagem em busca de outras paragens ou no vaivém dos negócios. O Colégio de Jesus, de Salvador, contava com a casa dos Hóspedes em suas dependências e, de acordo com Serafim Leite, apud Belchior e Poyares, “sempre existiu desde a primeira hora e teve de hospedar muitas personalidades ilustres (VELOSO CAMPOS, 2000. p.31)


Índio (2003) afirma que com o acomodamento do Imperador de Portugal no Brasil, a partir de 1808, os brasileiros nativos puderam ter seus próprios negócios, antes só permitido aos portugueses. Hospedarias e pensões foram instaladas nas principais cidades com o intuito específico de hospedar pessoas. No entanto, segundo Duarte (2003) a hotelaria não evoluiu por muitos anos, nos campos de Piratininga[2], simplesmente por que não havia viajantes ou qualquer tipo de comércio. Não havia então demanda para locais de pouso.


No início do século XVII nasceu o primeiro local oficial de hospedagem e serviço de restaurante de São Paulo – Hotel de Lopes - cujo proprietário, sr. Marcos Lopes anunciava oferecer carne, beijus, farinhas e outras coisas. De acordo com o citado historiador, quatro anos mais tarde, em 1603, a cigana Francisca Rodrigues montou sua estalagem e talvez o primeiro restaurante da gastronômica cidade de São Paulo.


Durante todo o século XVII, a atividade hoteleira era sempre exercida conjuntamente com os ofícios de barbearia, sapatearia, alfaiataria, que eram ao mesmo tempo artífices, vendeiros e estalajadeiros. Duarte (2003) explica que:

Todos eram considerados vendedores de alimentos e hospedagem, sem maiores distinções. O barbeiro Gonçalo Ribeiro, no final daquele século, apresentava à Câmara Municipal petição solicitando “que lhe dessem algumas coisas de comida e bebida para vender”. Era tal o estado de caos na área do comércio em geral, que naquele ano a edilidade, usando o seu poder de policiamento, sugeriu, e o procurador da Câmara aceitou, que houvesse “vendeiros e taberneiros em separado”. Passam então os oficiais artificies a viver de seus ofícios, e começam-se a definir, para efeito de tribulação, os comerciantes “vendeiros” e os “taberneiros”. (DUARTE, 2003)

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Em São Paulo o desenvolvimento esteve atrelado ao turismo de negócios, ao passo que o da hotelaria carioca não foi menos importante e abrangente, pelo fato de ser capital do país. Seu marco hoteleiro foi em 1922, o Hotel Glória, construído no Rio de Janeiro, ainda hoje considerado um dos maiores hotéis do Brasil, com setecentos apartamentos. Em 1923, inaugurou o moderno Hotel Esplanada, ao lado do Teatro Municipal com seus duzentos e cinquenta apartamentos, ponto de encontro da elite paulistana.


Conforme Índio (2003), desde a época do Brasil colônia até a década de 1970, a hotelaria brasileira não foi considerada como um negócio lucrativo a não ser para poucos empreendedores localizados na cidade do Rio de janeiro, então capital do país.


Duarte (2003) afirma que em 1992 houve grande expansão de flats, gerando uma primeira crise no setor, principalmente nos segmentos dos hotéis de categoria inferior à categoria luxo. Isto se deve a super oferta de apartamentos e o crescimento negativo da demanda que geraram baixa ocupação e consequentemente queda da diária média. Os meios de hospedagem pouco cresceram nos anos seguintes, até o mercado atingir novamente o equilíbrio.


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As organizações hoteleiras vêm sofrendo diversas transformações devido a mudanças sofridas no mercado turístico e no tipo de demanda da clientela. Pinheiro (2002) diz que no passado os hotéis eram caracterizados com o oferecimento dos serviços básicos. Atualmente, para manterem-se no mercado, as empresas hoteleiras precisam adequar-se as novas exigências, adaptando seus serviços a um perfil de cliente (segmentação de mercado), com o intuito de minimizar a insatisfação e superar as expectativas dos clientes.


Não há estudos sobre a precisão do surgimento da atividade hoteleira voltada para negócios no mundo, todavia, especula-se que a hospedagem, interpretada como uma atividade econômica orientada para o mercado, só começou a ganhar proporção e a importância observada nos dias de hoje juntamente com o movimento da Revolução Industrial, que mudou a forma de comercializar. Pinheiro (2002) afirma que:


Conjuntamente com a criação das ferrovias, foram expandidas as oportunidades mercantis e de negócios, facilitando o fluxo de pessoas e de mercadorias, acarretando a necessidade de profissionalização em larga escala de atividades de suporte, onde a hotelaria passa a ser fator estratégico para o bom andamento das relações comerciais. (PINHEIRO 2002, p.11)

Todavia, Índio (2003) cita que o primeiro hotel para executivos, surgiu em 1908. No Buffalo Statler Hotel, todos os apartamentos eram caracterizados por possuírem banheiro privativo, um armário para guardar pertences, água encanada, telefones e interruptores de luz elétrica ao lado da porta de entrada do apartamento. Um abajur ao lado da cama e uma escrivaninha com papel timbrado do hotel eram outras inovações que garantiram o sucesso do mesmo.


Atualmente, o diferencial nos hotéis de negócios está na adequação de suas instalações às necessidades e conveniência de seus clientes e na eficiência dos serviços prestados: além dos apartamentos incluírem uma escrivaninha, sala de reunião, sala de eventos e acesso a wi fi são impreteríveis para o sucesso desses meios de hospedagem.



[1] Turismo de negócios é aquele turismo praticado por executivos que viajam para participar de reuniões, visitar fornecedores e fechar negócios; Turismo de lazer é aquele turismo praticado por pessoas que apenas desejam viajar pelo prazer, passear e
conhecer novos lugares, para descansar, visitar parentes, sair em férias com a família. (Índio 2003. p.22)  [1]


[2] A povoação de São Paulo de Piratininga surgiu, em 25 de janeiro de 1554, com a construção de um colégio jesuíta, por 12 padres, entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Em 1560, a Vila de Santo André da Borda do Campo foi transferida para a região do Pátio do Colégio de São Paulo e passou a se denominar Vila de São Paulo, pertencente à Capitania de São Vicente. São Paulo foi por muito tempo a única vila no interior do Brasil. Esse isolamento de São Paulo se dava principalmente porque era dificílimo subir a Serra do Mar, a pé, da Vila de Santos ou da Vila de São Vicente para o Planalto de Piratininga. Subida esta que era feita pelo Caminho do padre José de Anchieta. Mem de Sá proibira o uso do Caminho do Piraiquê (hoje Piaçaguera), por ser, nele, frequentes os ataques dos índios. Após a Independência do Brasil, ocorrida onde hoje fica o Monumento do Ipiranga, São Paulo recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por Dom Pedro I do Brasil em 1823. Disponível em:< https://capitaodomingos.com/00-historia-de-sao-paulo-de-piratiniinga/>. Acesso em 15 jun 2017.



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                                                                                                                                                                                                                   jeianecosta.novel@outlook.com
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Créditos especiais:
As informações foram extraídas da monografia "SATISFAÇÃO COM OS SERVIÇOS NA HOTELARIA BUSINESSo caso do Bristol Express Hotel São Luís", apresentada por Jeiane Costa na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), 2018. 
Imagem 1 - disponível em: <http://blog.hospedin.com/hotelaria/> acesso 01 jun 2019
Imagem  2 -  disponível em: <http://hotelando.blogspot.com/2011/05/pequena-historia-da-hotelaria.html> acesso 01 jun 2019
Imagem  4 - disponível em:<<http://www.hotelsone.com/sao-luis-hotels-br/bristol-express-sao-luis.pt.html > .Acesso 03 jan 2018


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